Presidente da Federação Internacional de Voleibol discrimina mulheres transexuais
FOTO : Ruben Acosta, presidente da Federação Internacional de Voleibol, (FIVB), discrimina transexuais


. No início deste ano a Federação Internacional de Voleibol decidiu abolir testes de feminilidade . A atacante brasileira Érika, jogadora do Osasco e da seleção de José Roberto Guimarães foi submetida ao exame durante o Mundial juvenil, em setembro de 1997, e teve o resultado positivo.
. Érika tinha uma má formação dos órgãos reprodutores e teve de ser submetida a uma cirurgia e a tratamento hormonal.
Na época, Acosta foi duro: obrigou o Brasil a tirar Érika do Mundial juvenil, sem tempo para qualquer defesa, sob a ameaça de a equipe ser eliminada do torneio.

. Protagonista do drama vivido por Érika na seleção juvenil, o presidente da FIVB , Ruben Acosta afirmou que a sua entidade não seguirá a medida anunciada pelo COI: de abrir as portas das competições para as transexuais. Para Acosta permitir a presença de transexuais em torneios de vôlei são abusos humanos , declarou Acosta. "Existem direitos humanos que já são abusos humanos."

. O mexicano está sendo investigado pela Justiça da Suíça e pelo Comitê Olímpico Internacional por uso ilegal de verbas obtidas com os direitos de transmissão dos eventos internacionais de vôlei e com os Jogos de Sydney-00.

. Em meio a investigações de denúncias de corrupção contra seu presidente Ruben Acosta , a Federação Internacional de Vôlei decidiu aumentar os poderes do dirigente e impor uma "lei da mordaça". Pelo novo código de conduta, aprovado no inicio deste ano , estão proibidas críticas públicas à FIVB e às suas decisões. Além disso, as confederações nacionais não podem se opor legalmente à entidade. As mudanças também deram plenos poderes ao mexicano Rubén Acosta. A partir de agora, o presidente será o único responsável por todas as ações/decisões da FIVB, inclusive sanções disciplinares.

. Acosta possui grande prestígio na Federação Internacional de voleibol a FiVB , mas no COI a história foi outra, As investigações de corrupção e desvio de verbas pela justiça Suiça nos jogos de Sydney , e uma eminente expulsão dele do Comitê Olímico Internacional após o resultado da investigação pela Comissão de Ética do COI, fizeram acosta a pedir sua saída do COI alegando os 70 anos de idade , idade limite para dirigentes ingressarem na entidade após 1999.




Transfobia


by Marycross



“A nossa pátria deveria ter como exigência a dignidade da pessoa humana. O respeito . A cidadania. O combate a intolerância e ao preconceito.

Mas as transexuais MtF operadas ainda sofrem , nessa questão do esporte, por causa da ignorância das pessoas. Contudo não se pode permanecer indiferente a uma injustiça como esta. Pois ela é a manifestação de uma das formas mais perversas da violência : a discriminação .

. O Programa Nacional de Direitos Humanos apresentado pelo então Sr. Presidente Fernando Henrique Cardoso em 13/5/02 traz as diretrizes do então Governo Federal na área de Direitos Humanos. O documento oficial explicitamente faz referência a ações nas questões pertinentes à garantia do Direito à Liberdade, Opinião e Expressão das Transexuais além de tratar de ações de regulamentação da lei de redesignação e da mudança de registro civil para transexuais operadas, e propõe emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por orientação sexual.

. Infelizmente o Sr. Ex-Presidente FHC pensava mais em nós e nas minorias do que o atual governo.....Lula...

O Congresso, digo isso com tristeza e infelicidade pois temos votado e confiado no PT & Cia fielmente e em todos que aí estão há anos, e a coisa ficou nesta decepção para nós , nenhum comprometimento na implementação dos nossos direitos como seres humanos , inclusive por parte do Senhor Ministro dos Esportes. Quem fez mais por nós foi o Senhor FHC com seu Programa Nacional de Direitos Humanos.

Esse programa governamental criado na gestão FHC, que propõe ações e diretrizes para a implementação dos nossos direitos como seres humanos , caminha a passos lentos no governo Lula ....


Essas ações para garantir o direito nas questões pertinentes às transexuais são necessárias porque ninguém pode viver perenemente, sem qualquer motivo ou justificativa, como pessoa marginalizada, como discriminada, num estado de anomia como uma anomalia civil, social e mesmo jurídica. O ser humano merece o respeito de sua individualidade, de ser cidadão, um indivíduo comum. Pelo menos um nome que o caracterize devidamente, cada ser humano tem o direito de ter.

Hoje em dia, até na longínqua China Continental, as transexuais operadas terão o direito de se casar e mudar de nome.... e as MtF a serem reconhecidas como mulheres.

Por outro lado, na Suíça, por exemplo, além de se respeitar de maneira exemplar os direitos humanos, possuem eles uma lei que permite a mudança automática de identidade civil no caso de transexuais redesignadas cirurgicamente, e, é claro ( aqui vai a relevância para o esporte), a Suíça sedia o Comitê Olímpico Internacional, a FIFA e uma série de outras entidades e organizações mundiais de administração do desporto.

Na Suíça, a palavra transexual designa a pessoa que ainda não se operou, porque depois que a MtF se opera, passa normalmente a ser designada e aceita como mulher...não sendo mais tratada como GID, mas como uma mulher como as outras....



. Temos no Brasil um projeto muito bom ( PL-70b/1995 ; autor: José Coimbra - PTB /SP ) o qual o atual Sr. Ministro dos Esportes apoiou em 1995 e 1999, quando foi seu relator, na Comissão de Seguridade Social.

Esse projeto encontra-se pronto para pauta para ir a Plenário na Câmara, e dispõe sobre intervenções cirúrgicas que visam à alteração de sexo (redesignação genital) e dá outras providências

ADMITINDO A MUDANÇA DO PRENOME MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, NOS CASOS EM QUE O REQUERENTE TENHA SE SUBMETIDO A INTERVENÇÃO CIRURGICA DESTINADA A ALTERAR O SEXO ORIGINARIO, OU SEJA, OPERAÇÃO TRANSEXUAL.

Com o parecer favorável do relatório do nosso atual Ministro dos Esportes, Sr.Agnelo Queiróz quando era deputado , o projeto teve aprovação unânime na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) , e já havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mas até hoje encontra-se com requerimento de urgência, parado, abandonado à própria sorte, ou à própria morte, aguardando, como no corredor da morte, sua ida a Plenário.

No governo Lula, mesmo com o então relator do projeto no governo , e todas as promessas, empenho e compromissos pelos Direitos Humanos de quando foi deputado , o projeto está sem o interesse devido, abandonado à própria sorte.

Um projeto bom já existe....O PL70b/95 é bom. Basta interesse das autoridades para aprová-lo. O pior é que as autoridades têm a consciência exata da violação que está sendo feita aos direitos das transexuais, e não fazem nada . Parece que só pensam em si mesmos, e esquecem que estão lá como representantes da população, inclusive das pessoas GID.



A aprovação do Projeto Coimbra é de extrema importância para as pessoas com problemas de gênero no Brasil , pois a readequação perante si mesmo e a sociedade é um direito inalienável da pessoa humana .

Ao PL 70b/95 do Dep.Dr.José Coimbra foi juntado um outro, de nº 3727-97 do ex-deputado Wigberto Tartuce. Ambos agora tramitam juntos, mas estão parados, aguardando inclusão em pauta, mesmo com o pedido de urgência de 1.999, assinado por quase todos os líderes dos partidos.

Nos afastando de nossas misérias terceiromundistas e latino-americanas, vemos que no mundo civilizado, a situação é bem diferente.

. Na Europa, a Corte Européia de Direitos Humanos determinou o fim desses sofrimentos e constrangimentos causados às transexuais , assegurando plena redesignação cirúrgica, civil , jurídica e social às pessoas transexuais redesignadas.... o que foi um passo importante para a decisão de agora, da participação nas competições esportivas de alto-nível, por parte de pessoas GID redesignadas, no gênero adequado.

O Governo Britânico , por exemplo, está cientificando mais de 100 organizações esportivas para que implementem as mudanças nas regras em relação ao gênero.

As transexuais contam com o apoio governamental e da lei na Europa, que lhes assegura a plena cidadania, o reconhecimento da identificação civil adequada e o direito de existirem e serem respeitadas na sociedade, no esporte e no trabalho. Mas para que essa situação de respeito e civilidade chegasse, houve uma decisão firme da Corte Européia de Direitos Humanos.

Nós, neste fim de mundo, nem Corte de Direitos Humanos temos....


Esta é uma causa legítima. Todo o trabalho multidisciplinar de suporte a portadores de disforia de gênero só pode ter sentido quando objetiva o propósito de lhes reconhecer a identidade e com o fim de integrá-las na sociedade. Todas as transexuais possuem o direito de inclusão na sociedade, durante seu processo de transição....e inclusão plena, total e irrestrita, após sua redesignação. Participando de todas as atividades normais na condição à qual se harmonizaram de forma a poderem viver. Não se justifica a sua não participação também em esportes, prática habitual de grande parte da sociedade, ...

As religiões que professam o ódio e a intolerância patrocinam essa exclusão social com uma teologia e moralismo próprios que julgam as transexuais numa condição de condenação.

Dizem : "Direitos Humanos pode, menos na questão sexual..."

Esse sentimento de ódio, intolerância e preconceito para com as transexuais foi usado no passado da mesma forma para excluir os negros. Pretendem os falsos defensores do evangelho condenar as pacientes transexuais a viverem como escravas, numa era de avanços tecnológicos e garantias fundamentais da pessoa humana. Esse moralismo tem as mesmas razões , as mesmas táticas , a mesma irracionalidade da Escravatura.
A própria sociedade, influenciada por estas doutrinas nada evangélicas, pois Jesus não discriminou ninguém, nem sequer proferiu uma só palavra que seja contra as GID - e numa postura irresponsável e ignorante, condena as transexuais a viverem na marginalidade , no desemprego, na miséria, no abandono, sem acesso ao esporte de competição , esporte que é manifestação do ser humano , da sua necessidade de viver , da sua formação , atividade fundamental com reflexos na saúde , na auto-estima, na socialização saudável .... isso pode acarretar como consequência o desequilíbrio psíquico e emocional, e como desequilíbrio social, a promiscuidade ....

Esse sentimento de ódio e intolerância as transexuais chamamos de transfobia, e as pessoas que são intolerantes e preconceituosas, que odeiam as transexuais são denominadas transfóbicas.
No passado essa doutrina falsamente evangélica ,perseguiu não apenas os negros, mas também as mulheres, os índios e.... ainda persegue os homossexuais.

Esta doutrina e moral de só projetar suas ignorâncias e intransigências no outro, produzida por religiões preconceituosas e transfóbicas, constroem essas situações sociais que excluem as transexuais do seu direito de existir efetivamente na sociedade no gênero adequado.... e terminam por gerar nas vítimas, traumas , maus tratos, discriminações , falta de oportunidade e exclusões radicais, que por sua vez podem gerar como conseqüência dessa exclusão, depressões terríveis, que por sua vez podem gerar estados psicóticos graves.

Ou seja, as transexuais se tornam vítimas de uma sociedade doente e opressora.

Essa discriminação judaica, cristã e muçulmana contra a transexualidade, está presente em todos os escaninhos das atividades humanas.
Ela não tem qualquer sustentação médica nem jurídica (apesar dos absurdos publicados em Roma pela Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, sobre o transexualismo, em passado recente, absurdos esses referendados e assinados pelo atual líder dessa agremiação religiosa). A medicina, pelo contrário, estuda o cérebro e as diferenciações dos tecidos durante a gestação de crianças primatas humanas e não humanas, tem descoberto radicais possíveis discordâncias entre as diferenciações sexuais no cérebro e nos genitais. Esses resultados, parecem ser ignorados pelos religiosos.... por ignorância, por desleixo... ou por malignidade.

O Estado brasileiro afirma assegurar a cada indivíduo ou cidadão a liberdade religiosa, incluindo aí a garantia do direito de não ser submetido a decisões judiciais, ou de qualquer outro agente político ou administrativo, embasadas em princípios religiosos ou de fé, de qualquer espécie.

O mérito e iniciativa de se lutar contra o preconceito e a discriminaçao em defesa dos direitos das transexuais é duplamente maior, por tratarem-se de uma minoria (ainda) quase sem vez e sem voz na sociedade.

Dogmas culturais não são maiores e mais importantes do que os direitos fundamentais de seres humanos.

As pessoas transexuais não são necessariamente promíscuas....não são doentes mentais....não são inferiores a ninguém.... não são decaídas morais.....não são bandidas.... apenas sofrem, antes de suas correções, de uma radical desarmonia entre sua identidade de gênero, determinada por sua conformação cerebral, e sua conformação genital.”
Procurar com:
palavra:
  • ORGANIZAÇÕES DO ESPORTE AINDA DISCRIMINAM , CONSTRANGEM E EXCLUEM MULHERES REDESIGNADAS
  • transexuais e Esportes
  • Golfe, tênis e ciclismo superaram os preconceitos contra transexuais no esporte
  • Brecha do COI para transexuais torna o esporte, de fato, para todos
  • Revista Científica sobre assuntos em Disforia de Gênero
  • Especialistas elogiam liberação dos transexuais já em Atenas 2004


  •  
    Livro de visitas
    Assine meu livro de visitas - Leia meu livro de visitas